A China come pela beirada; guerra, dinheiro e estratégia
Miguel Gustavo de Paiva Torres
As duas aparentes saídas para evitar uma terceira guerra mundial parecem ser uma camisa de força militar e política no claudicante e errático presidente falante dos Estados Unidos.
O principal negociador do Irã sobre a questão do Estreito de Hormuz, o bloqueio naval americano e o término do programa nuclear do país — com o envio dos 400 quilos de urânio enriquecido para custódia de Washington, divulgados com pompa e circunstância por Donald Trump a Deus e ao mundo — refutou taxativamente esses anúncios em declarações oficiais, dizendo que Trump conseguiu mentir sete vezes em apenas uma hora. O mais curioso dessa tragédia anunciada é que, pelo menos por aqui, sete é considerado número de mentiroso.
O Irã sabe que conta com o apoio silencioso da China e da Rússia. A China é a mais prejudicada por esse embate marítimo, que atinge em cheio suas necessidades energéticas, enquanto a Rússia é quem mais ganha no curto prazo, mas perde com uma eventual derrota do Irã e vitória norte-americana.
O vai e vem do abre e fecha no Estreito de Hormuz, com a decisão iraniana de enfrentar militarmente os Estados Unidos, é uma demonstração clara de que o país conta com uma poderosa retaguarda de apoio armado de aliados.
Enquanto o presidente norte-americano não voltar a se comportar como um líder sério, a possibilidade da extensão do conflito para uma nova guerra mundial está batendo à porta.
Agora já entraram na dança, além da China e da Rússia, a Coreia do Norte; e o Brasil já está na mira de tiros da Casa Branca.
Tudo aponta para um desastre.
Beirada é sempre beirada