Capitão América toca fogo no Brasil: a grande confusão
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Mais dia menos dia ia chegar por aqui. Já passou pelo Canadá, pela Groenlândia; México, Venezuela, Cuba, Irã, Omã, Oriente Médio, Alto e Baixo, Montana, montanhas, praias e estreitos minados; e o trem caipira segue em frente soltando fumaça e fazendo confusão.
Confusão é o mais importante. Nem acaba e nem começa, muda de assunto. Que tal passarmos para o Brasil, esse filé mignon de terras raras e minerais críticos fácil de abocanhar.
Desarmados, incompetentes na política e na guerra os nativos são uma mistura fina de todas as etnias tribais do planeta e já nascem roubando os brinquedos dos irmãos e irmãs mais velhas. Fora roubar, comer carne folheada a ouro, pagar caro por bebida falsificada, dançar e correr atrás de sexo dia após dia, não fazem muito: praia, samba, depilação, novela, preguiça, futebol e dinheiro fácil.
Não teremos esses Ayatollah malucos pela frente, que não desistem nunca. São como canadenses e mexicanos, adoram sangue, bala e luta e nunca desistem. — Só atrasam o meu Cronograma —, diz o saxônico presidente Trump ao desgarrado latino Marco Rubio.
Vamos mudar; seguir em frente e depois voltar. Temos uma vantagem comparativa e outra competitiva que nenhuma outra tribo tem no planeta. Há um imenso grupo, quase metade dos nativos desse Brasil, que se chama Deus, Pátria, Família, Estados Unidos e Israel. Eles estão loucos para nos entregarem todo o território, soberania e poder desde que comecemos a guerra eleitoral com seus inimigos conhecidos como uma variante étnica, “esquerdopatas”, liderados por um velho chefe barbudo. Em seguida instalamos eles no planalto central do cerrado brasileiro e contaremos com a mais heroica vassalagem que qualquer império já teve no planeta. E tudo isso a preço de banana.
Basta declarar como ”terroristas” duas organizações criminosas construídas e administradas ao longo das últimas décadas por maloqueiros, pilantras, falsos empresários e banqueiros de fantasia. Eles são profissionais qualificados. E escolheram nomes de peso: PCC e CV. Cabe qualquer coisa dentro.
As nossas Forças Armadas legalmente, legitimamente, poderão entrar e bombardear o que for necessário por lá; e nossos aliados da Facção Deus, Pátria e Família cobrirão nossa retaguarda nos ramos executivo, legislativo, judiciário e religioso, este último movido a fé e muito dinheiro. — É muita sorte —, diz o Rubio. Sem enrubescer.
Fácil, fácil, melhor do que cocada ou quebra-queixo nas praias do Caribe.