O fim da picada
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Você chega ao fim da picada quando a trilha aberta por gerações para construir e desenvolver algo ou alguma coisa — como um país por exemplo — é abruptamente interrompida e nada mais resta do que um precipício à sua frente.
Todas as notícias que recebemos em nossa atualidade brasileira, às vésperas de uma nova eleição geral em novembro de 2026, apontam para o fim da picada na trilha de uma longa jornada de mais de 200 anos em busca de democracia, estabilidade política e desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável.
Trata-se de uma sociedade que nasceu debilitada pela escravidão humana; concentração de renda nas mãos de uma elite alienada que não trocava uma esquina de uma cidade europeia pela imensidão de terras desabitadas, em matas fechadas, cerrado, catingas e outros biomas, acostumada ao dinheiro fácil da máquina pública de governo, em todos os tempos, da colônia aos dias de hoje.
É o fim da picada porque é cada vez pior. Não melhora. Não anda pra frente, a não ser no futebol, no samba, na capoeira e nas festas intermináveis com seus shows “culturais” que evoluíram em primeiríssimo lugar nas prioridades de governos de todos e para todos.
De um simples caminhão debaixo de uma árvore com uma cantora ou um cantor de música popular com meia dúzia de músicos itinerantes aos shows milionários nas grandes, médias e pequenas urbes do país da alegria, com dinheiro ou sem dinheiro, sempre dinheiro público jorrando fácil pelos tradicionais canais da política do me engana que eu gosto.
Não tem mais jeito. Conseguiram um feito político histórico no mundo: tratar a população na base da ração de comida, abrigo e espera interminável por melhorias prometidas e não cumpridas.
Todos parecem se medir pela única régua disponível no mercado da política: manipulação e roubo descarado do dinheiro em todas as esferas do poder público.
É o fim da picada. Tanto faz. Não há heróis nessa história. Sobra pilantragem e muita festa de rua nesse tempo de eleições.
Todos querem a mamata dos cofres e dos impostos: temos um candidato, por exemplo, que em troca de ser eleito presidente, com “p” minúsculo, da República do Pau Brasil teve a brilhante ideia de convidar os norte-americanos para desenharem o seu plano de governo, aqui nas brenhas do planeta. Miserê, Miserê, Misericórdia. Meu Deus do céu.