O Ladrão da CIA
Miguel Gustavo de Paiva Torres
A CIA mete medo no mundo inteiro. Quem trabalha por lá também morre de medo. Especialista em Operações Especiais a Central derrubou e montou governos de norte a sul e de leste a oeste em todos os quadrantes do planeta terra. O poder paralelo e encoberto da Agência começou no pós-guerra focado na guerra fria entre o capitalismo e a democracia norte-americana e o comunismo e a ditadura de partido única soviética.
Antes da CIA, com seus tentáculos internacionais, o que metia mais do que medo dentro do próprio Estados Unidos da América era o FBI, de J. Edgard Hoover, mestre dos dossiês secretos sobre tudo e sobre todas e todos. A CIA operava com inteligência e segurança nacional. O FBI, polícia federal, atuava contra máfias, ladrões, assassinos e golpistas de todo tipo e tamanho, sempre no âmbito federal.
Ambas as instituições serviram como modelo de eficiência na administração do poder político e da lei durante décadas e criaram filhotes importantes em todos os quadrantes. A KGB na União Soviética, o Mossad em Israel, O MI-5 e MI-6 em Londres, a inteligência militar francesa e a inteligência militar da Cuba de Fidel Castro foram, de longe, as mais bem sucedidas. Estou referindo-me ao Ocidente e à União Soviética.
É claro que China, Índia e Paquistão gerenciaram com competência suas próprias agências de inteligência; no início à sombra das agências ocidentais com influências e projeções de poder e, posteriormente, de forma independente.
Os Estados Unidos, no entanto, não conseguiram controlar o poder paralelo e encoberto da CIA e dos seus novos irmãos de armas — a Agência de Segurança Nacional e o Conselho de Segurança Nacional — e chegou a uma fragmentação fora do controle do poder político nacional.
O Departamento de Justiça e o Departamento de Estado e todos esses conselhos de segurança nacional começaram a voar com asas próprias e sem rumo mundo à fora. Muitas vezes fora da lei e encobertos pelo secretismo da palavra senha “segurança nacional”.
O complexo industrial militar e o seu lobby passaram a ter controle decisório na política norte-americana e no destino de todos nós humanos. Trilhões e trilhões de dólares para armamentos, tecnologias de ponta e guerras e mais guerras.
Tudo o que era idealismo e bons propósitos que emolduravam os sonhos do iluminismo democrático ocidental começou a ruir e fazer água. Aos poucos o mundo inteiro passou a ser presa do olho mágico invisível da espionagem. O manejo das informações, verdadeiras ou falsas, para fins de poder e dominação alastrou-se por todos os lados.
Mas o poder ilimitado, encoberto e secreto. dessa pequena turma de privilegiados com autorização para guerrear, matar e destruir, também provocou uma resistência política, civil, legal e militar mundo afora. Muita coisa veio à luz e já flutua nas nuvens à descoberto das big techs do bem e do mal. Ou neutras e amorais.
Mas não são apenas os vigiados e acompanhados como inimigos que passam mal e ficam obcecados pelo medo de terem suas vidas e atos desnudados em praça pública. Os próprios agentes dessas organizações também vivem apavorados entre eles mesmo.
Semana passada o ex-oficial de alta patente da CIA, David Rusch, protagonizou um escândalo em Washington ao ser preso pelo FBI com 40 milhões de dólares em barras de ouro em sua casa na Virginia onde também está sediada a CIA. 303 quilos ou 303 barras de ouro de 1 quilo cada. 2 milhões de dólares em dinheiro vivo e 35 relógios de luxo, completavam a coleta do roubo. Roubo digno do alto comando do PCC ou do Comando Vermelho. Rusch foi agente sênior por 17 anos da CIA e estava aposentado.
Como indagava o jornalista Ernest Hemingway em seus tempos de escritor: “PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE”.