O parceiro trapaceiro

Miguel Gustavo de Paiva Torres

Política no fundo é um jogo: às vezes de azar, às vezes de cartas marcadas. O trapaceiro não espera a hora. Como na velha canção — hino da esquerda brasileira pré-gramsciana nos anos 60 e 70 —: FAZ A HORA. Não interessa se é verdade, como tão bem explicou nosso líder ao destituído e capturado Nicolau Maduro; interessa a narrativa e a sua disseminação popular. Foi assim por milênios e continua sendo assim.

Donald Trump só tem um objetivo em mente: as eleições gerais de meio de mandato no final de 2026, que podem castrar a sua libido e luxúria de poder e domínio global. Portanto, o que interessa agora ao BIG BROTHER é seguir nas primeiras páginas como o grande guerreiro da paz e do bem, derrubando e explodindo o mal mundo afora.

E antes que a guerra com o ensandecido Irã e seus milhões de fiéis armados — e muito bem armados — estrague o cenário interno do imperador norte-americano, é preciso cautela e caldo de galinha para evitar o transbordamento de uma catástrofe inflacionária no curral dos seus soldados do MAGA, fiéis e obcecados seguidores do melhor amigo de Jeffrey Epstein.

O domínio das fontes de energia global, batendo indiretamente na China por meio de seus atuais ou eventuais parceiros futuros, é o caminho mais indicado para colocar bichos na rota da seda de Pequim.

O Irã não é a Venezuela. Trump acha que os ayatollahs jogaram sujo ao atacar preferencialmente os seus peões no Oriente Médio, a fim de deixar exposto o rei no tabuleiro de guerra. Resultado: Já tem novo ayatollah no comando em Teerã e os mísseis e drones continuam desestabilizando Netanyahu em Israel, destruindo o Líbano e tocando fogo nos países do Golfo Pérsio.

O preço do barril de petróleo já começa a desestabilizar também a economia americana. 118 dólares hoje, 9 de março de 2026, com apenas 10 dias de guerra. Haja munição para sustentar a improvisação de Donald Trump.  Parte do Partido Republicano não está gostando e muito menos o vice-presidente J.D. Vance.  Afinal as próximas eleições vão definir o quadro de apoio ao governo de Trump no Senado e na Câmara dos Deputados

Assim, pouco a pouco vai imprimindo sua estratégia do vai e vem na história. E que tal mover os soldados para a fronteira do Brasil e depois os aviões, submarinos e navios para a foz do Amazonas e o Atlântico Sul?

Boa ideia. Vamos ser o Escudo das Américas e sair de fininho desse Estreito de Hormuz. Sem dúvida: a próxima jogada já estava no roteiro: “sou amigo do presidente, mas o Brasil é horrível”, disse Trump numa frase dúbia. Impensável? Que nada. Essa é a próxima jogada. Já em andamento.

O argumento já está no bolso do paletó; como disse o jornalista Jamil Chaade no UOL:  basta definir o PCC e o CV como organizações terroristas traficantes de substâncias letais para o território dos Estados Unidos e os bombardeios passam a ser legais e legítimos.

Seja na Colômbia, no Peru, na Bolívia e, o mais grave para nós, no Brasil. Impensável? Não. É apenas uma diversão política de Donald Trump.

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