Cadernos de Cinema – Les cahiers du cinema

Miguel Gustavo de Paiva Torres

O novo vira velho e se mistura à poeira do tempo. Todo mundo quer o novo, mas o novo pode ser algo tão velho quanto os ossos de um Pithecantropus Erectus; Homo Sapiens ou Neandertal.

A arte, como a emoção, a perfeição do imperfeito, o Zero e o Círculo, não tem idade, época, começo ou fim. Ou é arte no sentido da imitação da vida ou apenas a ilusão de uma realidade diversa no tempo e no espaço.

O Sétimo Céu é sempre o mesmo céu e sua cor apenas uma tela de cinema. Nós somos o filme em ação permanente. Fotografia, música, luz, literatura, espaço, corte, montagens, roteiro, atuação, direção, produção, tecnologia e invenção.

Tudo tem limite. Por isso Limites de Humberto Mauro nem é novo e nem é velho. É atemporal, eterno como os olhares apaixonados e os ciclos cósmicos de todos nós da fauna e flora universal.

Assisti ao filme na Cinemateca de Lisboa.

Homenagem a Humberto Mauro. Dou um pirulito a qualquer cinéfilo do YouTube que conheça Humberto Mauro, sua luz, sua dinâmica e sua água feita de angústia e beleza.

Minha primeira ambição de menino foi conseguir assistir até o final da minha vida um milhão de filmes. Queria ser o primeiro milionário da cinematografia.

Por isso comprei com minha própria mesada muitos cadernos AVANTE, símbolo do Brasil grande e heroico do futuro, do qual também queria participar, e também as moderníssimas canetas BIG. Quem não tem BIG não conhece o futuro,

Assim foi: número 1: Tarzan e a Tribo Nagasáqui; 2: Branca de Neve e os Sete Anões (… a surpresa da animação); fui até mil e poucos filmes… Fiquei adulto com toda a sisudez e tristeza que traz a transição entre adolescência e juventude.

O que ficou: Chaplin, Fellini, Bertolucci, D.W Griffith, pedaços de Glauber Rocha, Sganzerla, Grande Otelo, Orson Welles, Vanja Orico, Oscarito e Ankito; Tônia Carrero; Norma Benguell, Jeanne Moreau, Odete Lara, Kurosawa, Anselmo Duarte; Cidade de Deus e Walter Salles, Fernandas Montenegro e Torres, Raúl Ruiz, Maria de Medeiros, Cleópatra, Gato em Teto de Zinco Quente, …., Burton, Delon, Brigitte, Elizabeth, Maria Félix, Bacurau, Recife Frio e o Som ao Redor; Kléber Mendonça sem limites, inteiro, com Jack Nicholson, Robert de Niro, Brando, com ou sem manteiga, Maria Schneider, Bunuel, Coppola, Spielberg, Actors Studio, Cinecittá, Um Dia Um Gato, Martin Scorcese, …E O VENTO LEVOU.

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