A arte da trapaça
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Eu realmente ainda não sei se tive a sorte ou a desgraça de estar vivo e maduro, ainda no planeta, ao mesmo tempo que Donald Trump e sua gangue e Jair Bolsonaro e sua “troupe” de comédia política no Brasil.
Com a companhia ainda dos circunspectos adoradores do encantador de serpentes, Lula da Silva; seguidos sempre pelo espectro da permanente fome dos mais pobres do mundo. Deste mundo.
Lembro que tudo se passou no final do primeiro quarto do século XXI.
Governava Israel um sádico ditador que reuniu um crudelíssimo gabinete de fanáticos por sangue e bezerros de ouro.
Estava em processo de fazer de uma bela faixa litorânea, que no passado havia sido um grande e poderoso reino — antes da chegada do povo de Deus à tal da Terra Prometida por este último a Moisés, no Monte Sinai — terra arrasada, terraplenada e limpa completamente de cadáveres e escombros até então dirigido por um sanguinário e também crudelíssimo governo ditatorial denominado Hamas.
Na América do Norte, especificamente em Washington, um bizarro e inteligente comerciante havia chegado ao poder pela segunda vez, com os votos da maioria silenciosa, bíblica e mal alfabetizada dos Estados Unidos da América, com a promessa de estender ainda mais os seus largos territórios e impor tarifas extorsivas mundo afora.
Tratava o caso do Brasil por duas janelas de oportunidades diferentes: na primeira amava o Brasil e seu povo; e, na segunda estava disposto a roubar suas terras raras e a destituir do poder o encantador de serpentes que governava aquele povo alegre e vira-lata, sem raça ou etnia própria e definida.
Admirava, no entanto, a alegria e as orgias do carnaval, com suas bundas e peitos pululando ao ar livre, na Marquês de Sapucaí.
Encantava-o também o Trump do Sul, feito de barro à sua imagem e semelhança.
Um capitão rebelde e mimado como ele, bom pai de família, como ele, e trapaceiro de primeira, como ele.
Recebeu em sua corte o filho do enviado e como se tratava de assunto de pouca importância e país de menor relevância — sem bombas nucleares —, decidiu dar uma ajuda àquela simpática e corajosa família que havia tentado dar um golpe de estado.
Golpe que se daria com detonação de bombas caseiras em aeroportos e assassinatos de comunistas sem vergonha e corruptos que se apoderaram do poder, das suas instituições copiadas do seu país sem pagamento de direitos autorais, e o criticavam e mentiam despudoradamente.
Enquanto isso, se candidatava ao Nobel da Paz e enviava submarinos nucleares armados para encenar uma coreografia de negociações com o seu rival e amigo predileto Vladimir Putin.
Prometeu enquadrar o vampiresco governo de Israel e fazer a paz em Gaza porque havia visto na TV crianças e idosos cadavéricos morrendo de fome.
Mas, logo depois esclareceu que esse assunto “is up to Israel” — É da alçada de Israel.
Afinal, o projeto do luxuoso resort judeu-americano proposto por seu genro, com sua estátua erigida em ouro, à beira do Mediterrâneo, no conflagrado Oriente Médio, era a cereja do bolo no seu nome. Antes desprezado pela Society de Nova Iorque e feitos na história das Américas e do mundo. Nem tanto a Deus e nem tanto ao Diabo.