A Linha Vermelha
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Neste segundo governo de Donald Trump a ordem do dia é começar e terminar a dissolução da chamada democracia americana.
Considerada pela turma dos moleques de rua da extrema direita norte-americana e mundial como um derivativo disfarçado da monarquia constitucionalista inglesa, derrubada por um sucedâneo genérico medicinal chamado burguesia liberal.
Agora seria a hora de dar lugar aos trabalhadores e agricultores destituídos de nomes de família, títulos de antepassados e com geração e aproveitamento de riqueza concentrados em dois setores: finanças e comércio.
Mas não se trata da tese marxista da mais valia e nem se trata de pobreza e desigualdade social.
Trata-se de agricultores ricos e trabalhadores que já pertenceram a uma dita classe média afluente nos Estados Unidos da América.
República erigida sob a égide da liberdade e igualdade de todos os lá nascidos e os imigrantes forjadores do aço e do concreto dessa democracia de papel.
Agora chegou a hora da antiga burguesia escravocrata cubana se vingar da Cuba de Fidel e do resto da América Latina esquerdista, como avalia o senhor Marco Rubio.
Marco Rubio cresceu em um ambiente de ódio a qualquer ideia de coletivo, desapropriação e repartição de riqueza.
O sonho do pai dele e das duas gerações de pais e filhos que abandonaram casas, fazendas e negócios com a revolução feita por duas dúzias de guerrilheiros independentes, que conseguiram tirar do poder o tal do presidente Batista, que fugiu em uma noite de ano novo levando na bagagem o tesouro nacional do povo cubano. Não foi para Miami.
Para Miami retornaram todos os mafiosos da costa leste americana, que controlavam cassinos, entretenimento musical e sexual em Havana, e essa chamada burguesia da cidade e do campo: todos branquinhos, é claro.
A partir da ponte aérea Washington–Miami, tentaram por quase 60 anos assassinar Fidel ou envolvê-lo com o narcotráfico e outros mal feitos.
Não conseguiram.
Realizaram dezenas de atentados terroristas com infiltrações da CIA. Um desses atentados, em um luxuoso hotel do antes nobre e burguês bairro de Playa, em Havana, deixaram um mar de sangue e um lamaçal de cadáveres inocentes.
Agora, neste tempo de desconstrução da burguesia de antigas famílias educadas no Colégio Marista e na prestigiosa Universidade de Havana, chegou a hora de brandir ao mundo o relatório anual norte-americano sobre direitos humanos no mundo.
Claro. Os Estados Unidos das máfias de cassinos, hotéis cinemas e restaurantes associados aos dois grandes partidos políticos daquele país: o elefante e o burro. Republicanos e democratas veem, neste momento, sérios atentados aos direitos humanos no Brasil e tome punição em cima dessa gentinha das praias e morros desse Cristo Redentor de gesso. Dá-lhe porrada, porque é o que merece.
Não é uma alucinação de Marco Rubio. Ele ouviu da própria boca do ilustríssimo deputado federal e grande defensor da liberdade mundial as histórias horrendas praticadas por um governo de coalizão da esquerda vermelha brasileira com a ex-nobre burguesia do velho Brazil com “z”, que precisa ser liberada, nem que seja preciso usar uma bomba atômica, fragatas nucleares e aviões morcego.
Imaginem: estão massacrando o seu pai e sua família. Marco Rubio acreditou e levou o assunto para exame do esclarecido Donald Trump.
Não houve dúvidas. Tarifas, sanções, cancelamentos de vistos e, quem sabe, em último caso, paraquedistas na COP 30 do barbudo presidente do Brasil.