De volta ao futuro

Miguel Gustavo de Paiva Torres

Foi uma viagem ao passado e uma volta ao futuro: participar de um debate sobre soberanias nacionais e as relações entre Estados Unidos de Donald Trump, em rumo acelerado para a destruição total da ordem e da lei internacional, para ganhar dinheiro e instaurar uma ditadura tirânica nos Estados Unidos da América pelo uso da força militar e atômica, em disputa de poder hegemônico mundial com a China. Uma estranha relação de aparente disputa e clara cumplicidade com o seu ídolo Vladimir Putin, padrinho das oligarquias bilionárias da Rússia pós-soviética.

O evento ocorreu no auditório João Sampaio, do grande complexo privado universitário do Centro de Estudos Superiores de Maceió – o Cesmac.

O Cesmac nasceu pelo idealismo de um grupo de intelectuais e educadores de Maceió, no Colégio Guido de Fontgalland, em frente à casa onde nasci e vivi a primeira parte da minha vida por 22 anos.

Liderados pelo Padre Teófanes de Barros e sua visão estratégica da importância da educação para o desenvolvimento social e humano de Alagoas e do Brasil, aproveitaram as salas de aula e a estrutura administrativa do seu Colégio Guido de Fontgalland para oferecer um curso superior noturno a todos aqueles impossibilitados de estudar na universidade pública nos horários diurnos, por motivos diversos, principalmente a necessidade de trabalhar e de sustentar suas famílias.

Esta primeira e embrionária universidade particular foi criada no âmbito de um colégio laico, dirigido por um padre visionário e um grupo de educadores idealistas, dedicados à causa do engrandecimento e da liberdade e pluralidade de conhecimentos para a população da cidade de Maceió e do Estado de Alagoas.

Quase 50 anos depois, fui convidado, pelo vice-reitor Douglas Apratto Tenório, historiador e homem de vasta cultura, reconhecido em todo o Brasil por seu gigantismo intelectual e dedicação à causa da educação e da pluralidade de conhecimentos como pilar fundamental do próprio conceito de universidade, a participar desse evento de debates, em auditório lotado por gente de todas as idades interessada em aumentar seus conhecimentos e informações sobre o atual estado do mundo.

Confesso que fiquei perplexo e maravilhado com o que vi e vivi na noite de 18 de setembro de 2025: revia, depois de 50 anos, uma universidade particular criada nos bancos escolares de um colégio secundário transformada em um complexo imenso de educação multicampi, envolvendo milhares de pessoas.

Era perceptível que havia chegado ao futuro vindo em uma nave do passado. Era perceptível também a alegria e o entusiasmo de estudantes, professores e funcionários cantando o hino nacional e o hino de sua universidade naquele auditório.

No dia seguinte, fui surpreendido pela notícia de que políticos locais tentariam municipalizar aquele imenso complexo universitário para dar sequência aos seus projetos eleitorais, em momento delicado de sucessivas tentativas de blindagem da corrupção desenfreada nos meios políticos, lamentavelmente dominados por grupos inescrupulosos que se misturam ao crime organizado transnacional e visam dominar a tudo e a todos pelo poder venenoso do dinheiro e do populismo eleitoral, em busca de acorrentar currais humanos em seus cercados de ignorância perene e prisão mental da maioria – nosso sofrido povo brasileiro, nordestino, alagoano, em martírio e escuridão perene, para benefício de poucos ignorantes e bilionários.

Um comentário em “De volta ao futuro

  • 21 de setembro de 2025 em 13:00
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    Resistir é preciso, Miguel Gustavo….e à educação é melhor caminho….lugar comum , mas sempre válido!

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