Trump coloca a ONU sob cerco

Edberto Ticianeli
jornalista

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chutou o pau da barraca e tem razão para assim proceder. Estava de viagem marcada para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas na próxima semana, em Nova York, mas desistiu e denunciou os limites de deslocamento estabelecidos para ele pelo ditador Trump.

Sua circulação estava restrita a um perímetro de cinco quarteirões em Nova York, ao redor de seu hotel, da sede da ONU e da missão do Brasil. Também não podia se deslocar de Nova York para Washington, inviabilizando a sua participação na Assembleia Geral da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Para circular fora desse perímetro, o governo brasileiro teria que solicitar autorização com 48 horas de antecedência. Esse pedido seria analisado pelo governo dos EUA, que poderia negar essa licença.

Esse episódio coloca sob risco a permanência da sede da ONU nos EUA, pelo menos durante o tempo em que por lá prevaleça a ditadura trumpista, ou mesmo definitivamente, considerando que as condições que a levaram para lá não mais existem.

Essa definição ocorreu no pós-guerra, em 1946, quando os Estados Unidos emergiram do conflito mundial com expressivo peso político e econômico, e dispostos a bancar a maior parte da construção do edifício, uma obra baseada nas propostas de Oscar Niemeyer e Le Corbusier. Foi erguido entre 1949 e 1952 no setor leste de Manhattan.

complexo da ONU é respeitado como um território internacional, não se submetendo plenamente às leis locais. Essa imunidade e a sua extraterritorialidade foram garantidas por um acordo entre a ONU e o governo norte-americano. Dentro da sede, vigoram normas próprias para assegurar a independência da organização, permitindo que representantes de todos os países possam atuar sem interferências diretas da legislação ou autoridades do Estado anfitrião.

Mas fora dele quem manda é o Trump. E ele quer dizer ao mundo que os EUA deve ser temido e assim manter-se como uma potência global e líder da ordem internacional.

Não funciona mais assim. Outros países emergiram como potências globais e a lei do porrete perde força. Os resultados das desesperadas medidas tarifárias impostas ao mundo pelo “poderoso” Trump demonstram isso. O maior prejudicado tem sido os EUA, onde a insatisfação com a ditadura tem provocado  manifestações cada vez maiores. Alguns analistas chegam a profetizar que o Trump não conclui seu governo.

O ministro da Saúde tem razão em se rebelar contra as medidas restritivas impostas a ele. Vai ficar em casa vendo o mundo inteiro aplaudi-lo por sua iniciativa corajosa.

Edberto Ticianeli

Jornalista e Produtor Cultural. Ex-secretário Estadual de Cultura. Editor dos sites História de Alagoas e Contexto Alagoas.

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