“Carnaval, a festa do deboche”

“Carnaval, a festa do deboche” — (Bemvindo Sequeira)

Pife

Sempre persegui uma ideia sobre o Carnaval.

Já fui criança. Eram dias de barulho.

Um dia adolescente, era uma festa.

Quase adulto, os sons da orquestra do Veríssimo Ferreira nos ouvidos, fazendo o mesmo barulho nas ruas estreitas do velho lugar, mas, agora, com ritmos nobres, feito eu imaginava, obedeciam à partitura sua, numa regência da sopa de risos.

Sim.

Sempre achei que no Carnaval as pessoas riam mais.

Nem o fuete da fábrica de tecido, às 6, às 14, às 22 era tão magnânimo. Mas os gritos dos operários no Ferrugem, na segunda, eram um louvor ao riso.

O Veríssimo, sério e otorrino, determinava os passos da gente operária… e da Otália, mãe do Edson Cabeção. “Otália ô, ôôô, ôôô”.

Melados de tinta, riam, riam, riam. E eu ria, ria, ria, na mesma proporção dos alegretes.

Era deboche.

Era um deboche à vida severina de homens e de mulheres pardais, sem sorrisos na tecelagem, ao lado da Lapinha de um chafariz de torneira enferrujada.

(No sepultamento do Veríssimo, o Clarindo bateu palmas.

Um deboche para a gente do lugar.

Para o velho maestro, de olhos fechados e sério como sempre, foi uma saraivada de risos dos seus obedientes passistas alegretes).

Um deboche!

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