Perdidos no espaço
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Roda Pião. Rodopia, Rodopiando, a Mãe Terra no Universo. Bilhões de galáxias, trilhões de planetas e estrelas viajando perdidos no espaço, em nossos corpos e mentes. Poético e assustador: “Aspera Ad Astra” — Difícil caminho para as estrelas”. Afinal, estamos no verso, no contra verso, no meta verso, pendurados por fios invisíveis, dentro de uma bolha de ilusão que se chama realidade ou será tudo isso, oceanos, florestas e estrelas resultado de um erro de programação no nervo ótico dos humanos cabeça dos primatas.
Não sabemos, não compreendemos e nunca, jamais, saberemos. Mas e a beleza e a feiura, a moral e o imoral, o prazer e a dor, a riqueza e a pobreza, as pirâmides do Egito, o lixo nos oceanos, nos desertos, nas cidades e nos campos, a ambição, a avidez, a traição, o afeto e o amor; e o ódio, são sentimentos reais ou apenas impulsos elétricos transformados em força e movimento.
Não tem como saber. Apenas ter fé. Fé em quê e em quem? No Deus Sol Akhenaton, no fogo eterno de Zoroastro, nas igrejas católica e protestantes saqueando cidades; campos abertos e de concentração; sangue, tortura, morte e poder. A indiferença: “o rei está morto, viva o rei”. Bíblia ou Alcorão ou a Torá. Bombas incendiárias, atômicas, armas químicas, facas, espadas, crucificações, guilhotinas, enfim, uma grande e permanente confusão onde misturam-se fé, ideologias, verdades ortodoxas, absolutas. Não tem como acreditar nessa história do jardim do éden, enquanto houver humanos. Primata irracional que se crê, por fé e religião. Não sabem nada e quanto mais envelhecem maior a ganância, o acúmulo de riquezas, a sede de poder, a busca de inimigos no instinto ancestral de oprimir e matar, quem não pensa igual, quem não vê igual, quem tem a ousadia de duvidar e perguntar. Do que se trata?
Trata-se, digo eu, do inconsciente coletivo gerado desde o nascimento do primeiro casal primata humano, capaz de procriar e se multiplicar e matar e avançar e ter fé e domínio social. Tornar invisíveis os que não são iguais e cultuam outras divindades. Os homo sapiens africanos por exemplo, marcados a ferro e fogo como filhos do demônio, selvagens e sem fé e sem Deus.
Portas abertas para as primeiras tentativas de dominação global pelo dinheiro, manipulação dos sentimentos do medo da morte e da ignorância, perplexidade pelo não entendimento da natureza, possível perda de todas as riquezas e prazeres. Por isso, vamos beber, comer como um poderoso Senhor de Engenho e aproveitar, mesmo que tenha que enganar, oprimir, inventar formas de governo e liderar, como fez Moisés em sua travessia do deserto. O líder das tribos desgarradas e oprimidas pelos faraós, enfrentou muita oposição política e tentativas de golpe, dando início, então, ao início das oligarquias políticas familiares. Nomeou Josué, seu filho, Chefe de Armas, general e sucessor. Foi um sucesso. Todos querem chegar e manter o Poder, para sempre, se possível, na tribo e no planeta azul, dependendo da época e das armas disponíveis.
A mais civilizada e avançada forma de organização social e espiritual, em minha visão, alcançada pelos primatas humanos nasceu e floresceu na África Negra, com o seu extraordinário altar e rituais focados nos atributos da natureza, em sentido amplo de tudo o que for vivo, sem preconceitos ou escolhas. Trovões, raios, tempestades, fauna, flora, vento, estrelas, noite, dia, tudo junto e incluído pelo Deus máximo, Olodumaré, que repassou sua Criação ao filho Obatalá, por ela responsável.
Com hierarquias, mas sem opressão, as nações, com seus orixás e inkissisi sobrenaturais, sempre foram irmandades em suas comunidades coletivas, onde todos eram pais e mães de todos e, no final, todos eram irmãos, netos de Olodumaré, filhos de Obatalá e reencarnados em suas ancestralidades nos orixás da nação nagô ou nos inkissis da nação banto do Congo e de Angola.
Aí reside o diferencial e a força desse país intermediário chamado Brasil, tão castigado. oprimido e maltratado pela política dos que acreditam ser porta bandeiras da civilização judaico-cristã, nessas terras do Saci Pererê e da onça pintada, com seus nativos jogados na arena dos leões de Roma.
Bravo !Embaixador possuidor de uma Travessia invulgar , mas , sobretudo , o sentimento pátrio, em seu efeito maioral . Reflexão perfeito