De se arrepender

Osvaldo Epifanio, o Pife

Ninguém espera o ano novo com pessimismo.

Há sempre uma sobra de esperança, como quem não planejou absolutamente nada e ainda acredita que tudo dará certo.

Sabe qual nosso problema? É ter esperança.

Tudo bem. Calma!

Não sou pessimista.

Como somos grandes mentirosos de nós mesmos, sempre empurramos para os outros a felicidade, embora não queiramos que ela seja maior que a nossa.

Desde a hora em que acordamos, até o fechar dos olhos de um dia morno, nunca pensamos, absoluta e, definitivamente, na felicidade alheia.

Temos os nossos problemas, as querências diárias, os dias gris, a palavra insossa de um amigo, a verve invertida de um amor. Não pensamos na “vida à fora”.

Eu sei.

A cada volta da ausência de um sono pleno, resultado da dormida numa rede no domingo, ouvindo Belchior, nunca pensamos nos outros. Pensamos na segunda-feira.

Eu sei.

Essa mensagem nunca será divulgada.

Se há existência em duas palavras acima, eu quero dizer o seguinte: o feliz ano faz-se!

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