Menino Borjão

Pife

Sentou-se no banco da praça a sentir uma brisa inaudível, a colidir com sua pele ainda sonolenta de uma noite de goles compassados. Não estava melancólico, nem com a mente vazia. Apenas soltava um suspiro de saudades, como quem sentia arder a ausência prevista para logo ali.
Aos poucos, aquietou-se como aqueles anjos que passam o dia a guardar os traquinas e têm o crepúsculo como seu companheiro inseparável.
O Menino Borjão passou a mão na testa, em meio ao silêncio de uma praça abarrotada de amigos, de amores e de lutas suadas, e sorriu sem intervalos, sem finitudes.
Não chorou pela despedida tão antecipada da vida, nem se lembrou de seus arrependimentos.
Fez um movimento, inclinando-se para juntar-se ao seu copo, o companheiro de dores e de gargalhadas, levou-o aos lábios, beijando o gole doce no líquido ardente e soltou o seu último sorriso envolto a uma declaração de amor: “Viva a Revolução!“. E partiu com o adeus dos breves.

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