Apocalipse em prestações
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Pode ser em seis meses, 12 meses ou até 36 anos; em parcelas de contaminação fatal do planeta, acrescidas de guerras de poder entre nações tribais modernas e atrasadas no relógio de um tempo circular que se repete no universo paralelo da caixa cerebral dos humanos e, agora, artificialmente, nos humanoides.
Palavras como soberania e autodeterminação política das tribos planetárias emergiram dos ciclones tecnológicos e das bombas químicas e atômicas da Segunda Guerra Mundial, em fabulações idealistas daqueles que, no Ocidente industrial e desigual, forjaram um mundo futuro abstrato de convergências, ordem e prosperidade global para todos os povos do planeta, calcado em modelos precedentes, da História Antiga aos dias de hoje.
Foi apenas uma tentativa fracassada de deter outras fabulações diferentes.
Como, por exemplo, a de um mundo unificado pela foice e pelo martelo, em um modelo único e global para o Homem Novo, que supostamente também emergiria de um governo de todos, para todos e por todos, dirigido por seres iluminados que brotariam das pestes, das guerras sucessivas, da fome e das desigualdades extremas — desigualdades que agora se aprofundam em abismos de fogo e águas enlameadas por terras raras.
Infelizmente, o sonho da República, de Platão, abafado e escondido pela Inquisição na Idade Média, ressurgiria na Idade Moderna, após o hiato do Renascimento humanista, apenas no plano ideal das narrativas políticas construídas como alicerces de projetos de poder e, novamente, de dominação pela força das armas.
Armas sofisticadas para a renovação tecnológica das antigas guerras tribais; sobreviventes de genocídios, do culto aos deuses e da repetição das máximas: “Em terra de cegos, quem tem um olho é rei” e “O homem é a medida de todas as coisas” — desde que consiga argumentar, sofismar, convencer e manipular.
Mas, sobretudo, nesta quadra de renascimento da barbárie terrena, é preciso estar muito bem armado, com capacidade de paridade de armas ou inteligência para resistir no domínio e no controle de seus territórios, como primeira alternativa a abrir definitivamente o portão, como explicou, há poucos dias, o ministro civil da Defesa do Brasil, para saudar a entrada dos novos conquistadores.
Soberania e autodeterminação política de um povo dependem, na política e na geopolítica do século XXI, de obter e saber manejar, com inteligência, armas de terra, mar e ar efetivas na defesa do povo e de seu território, sob segredo de Estado, em sua concepção moderna, como sempre foi e resistiu desde as primeiras concepções tribais, monárquicas e republicanas.
Desde sempre.