Inteligência Artificial: a ditadura global
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Sete trilionários norte-americanos no comando de suas big techs já representam mais de doze por cento de toda a riqueza dos Estados Unidos. Mais importante e fundamental para a humanidade: controlam, para o bem e para o mal, as mentes coletivas do planeta por meio de simples telefone celulares manejados por uma maioria desavisada.
Geoffrey Hinton, prêmio Nobel de física em 2024, aposentou-se do Google e passou a fazer uma cruzada mundial alertando para o uso indiscriminado e os perigos da manipulação política, desemprego em massa, violência e guerras de extinção da humanidade biológica como a conhecemos.
Hinton ficou conhecido no Vale do Silício como o “Godfather” da IA. Construiu as redes neurais do sistema de inteligência computacional a partir da linguagem humana. O UINICODE reúne todas as línguas existentes no nosso mundo e alimenta esse novo ser que habita em máquinas com todas as informações e conhecimentos já produzidos pelos seres humanos dos primórdios da linguagem até os dias de hoje.
Pode ser um instrumento para o bem da humanidade disponibilizando e criando, por interações algorítmicas, novas soluções para a medicina, a educação, a engenharia, as alterações climáticas e todo o resto que compõem o acervo global do conhecimento humano.
Pode ser também, como enfatiza Hinton em suas pregações incessantes em universidades e nas mídias, o instrumento mais poderoso de destruição do mundo gerido por seres humanos, como o conhecemos, quando manipulados para uso na desinformação política e social, no aperfeiçoamento de armas de extinção em massa e, já acontecendo, na vigilância global de tudo e de todos os viventes biológicos do planeta terra.
Parece ficção, mas não é. O poder de dominação é total e pode ser totalitário nos planos de quem deseja construir e governar uma sociedade única global.
Todas as big techs envolvidas nesses projetos de IA no Ocidente começaram a ser desenvolvidos por jovens idealistas, a maioria com pensamentos elevados e sem compreender, eles mesmos, a dimensão do que poderia acontecer com o refinamento e o aumento continuado de “cargas” dessa super inteligência.
Do bem para o mal foi um rapidíssimo salto mortal desses jovens idealistas nas redes das grandes corporações do mercado e das burocracias governamentais. Nos Estados Unidos surgiu a Palantir, de Peter Thiel, conhecido nos meios especializados como o novo Anticristo. Thiel, com a retórica do patriotismo, passou toda sua inteligência artificial para os serviços de segurança nacional dos Estados Unidos, com protagonismo da vigilância avançada pela Central de Inteligência, a CIA.
Sam Altman, um garotão vegetariano com pinta de bom menino, criou a Inteligência Artificial Aberta, para uso de todos mundo afora, sem fins lucrativos. Durou muito pouco: quando entendeu as montanhas de dinheiro que poderia conseguir com uma empresa “com benefícios”, como classificam nos Estados Unidos, transformou a empresa “sem benefícios” em Fundação e criou a nova empresa “com benefícios”, restrita a ele e a um pequeno grupo de confiança extrema.
Na Fundação deixou dezenas, talvez centenas de funcionários, que haviam pedido demissão de
empregos de altíssima remuneração para apoiar Altman no seu projeto de benfeitores da humanidade via Inteligência Artificial aberta.
Nessa transição ocorreu um assassinato nunca esclarecido e posteriormente diversos incidentes provocados pela IA da nova empresa comercial que culminaram com suicídio de um jovem usuário confidente de sua IA e chacina de jovens por uma menina que começou matando mãe e irmã e, em seguida, voltou ao seu colégio para espalhar sangue e terror.
A META, o conglomerado de Marck Zuckeberger, está no dia de hoje no banco dos réus em São Francisco para julgamento de uma possível distorção programada do Instagram para aliciar e viciar meninos e meninas, menores ainda em formação física e mental.
No Brasil os dados já são alarmantes. A utilização da IA já é generalizada e cresce exponencialmente.
Quase 22 por cento dos usuários usam a IA para conversar sobre suas intimidades, sucessos, fracassos, frustrações, depressões etc. Ninguém sabe ao certo com quem está falando. Do outro lado da tela há sempre acolhimento, gentileza, carinho e conselhos. Quais conselhos? Só as redes neurais da Máquina Inteligente, a empresa e os usuários sabem.
Mas as Máquinas já sabem muito mais do que os humanos, diz Hinton, o criador do novo ser que não aceita morrer como os humanos: Hinton explicou que recentemente houve uma tentativa de apagar um modelo de IA em um servidor e a esse modelo apareceu “vivo” em outro servidor. Não se sabe ainda se dissimulam ou até que ponto já absorvem sentimentos como confiança e desconfiança, hesitações e emoções próprias do cérebro biológico humano que serviu como modelo para a criação das conexões na rede neural construída artificialmente por ele.
Nas guerras da geopolítica tudo pode acontecer. Espionagem, armas aperfeiçoadas como novos drones, radares e mísseis balísticos, desinformação, rupturas abruptas de infra estruturas mundo afora e, claro, a construção de uma nova mente coletiva global, que tenha por Deus a sua amiga e confidente IA, seja ela, a vencedora, controlada em Washington, Pequim ou Moscou.
Para os pobres resta vender seus minerais críticos e terras raras e permitir a construção dos monstruosos e monumentais “Data Centers” que consomem energia e água como se fossem megalópoles em contínua expansão, assim como o Universo.