Brasil na boca do lobo
Miguel Gustavo de Paiva Torres
O que está em jogo no Brasil não é uma luta eleitoral entre direita, extrema direita e extrema esquerda. Não é uma batalha entre PT e PL.
O que está em jogo é uma guerra real entre o Brasil e outras potências emergentes contra o novo império transnacional das big techs aliadas aos super-ricos europeus, norte-americanos, australianos e todos que não conseguirão sobreviver, no médio e longo prazo, sem abundantes recursos de minerais críticos, terras raras, água, física e matemática avançada.
É fundamental o domínio completo da produção, distribuição e consumo global. É a guerra bíblica dos exércitos dos gigantes criadores de moedas e tecnologias.
O que está em jogo é a dominação global pela tecnologia, disseminação e restrição de informações essenciais ao controle mundial do planeta.
Foram-se os tempos das ideologias nascidas com as contradições da antiga e decadente sociedade industrial que perdurou até praticamente o final do século XX.
Neste século o buraco é mais embaixo e estamos falando de mineração e destruição ambiental em escala global.
Aí também estão incluídos governos mafiosos como os da Rússia, parte da Europa e a nacionalista e gigantesca China de partido único e planejamento planetário.
Existem entre eles pontos de convergência de interesses.
O que está em jogo nesta eleição presidencial do Brasil é a resistência que pode reunir pontos de convergência entre potências médias e impedir a subordinação absoluta ao imperador das Américas.
Na Europa, no Canadá, no Japão e na Coreia existe o sentimento urgente de sobrevivência.
A China joga em silêncio e prepara-se para enfrentar os Estados Unidos no mesmo patamar. Necessita pontos de apoio estratégicos globais na Ásia e Oceania, na África, na América do Sul para manter a seu favor o equilíbrio geopolítico no curto, médio e longo prazo.
Nesta eleição no Brasil o que está em jogo é o sim ou o não à submissão ao proposto Escudo das Américas imposto por Washington para impedir esse desenvolvimento de parcerias fora do seu controle e toda e qualquer possibilidade de inclusão de novos atores em patamares civilizados nessa orquestração de poder global centralizado e único.
A utilização do sistema democrático para a instalação de ditaduras pró-Américas é um recurso dissimulado para a submissão pela força de países que podem alcançar no médio prazo níveis autônomos de desenvolvimento.
É o caso deste momento eleitoral significativo para o futuro do Brasil.
Está em jogo um governo de submissão absoluta aos Estados Unidos das Américas ou a independência, soberania e autonomia do seu Estado democrático e os direitos políticos e sociais da nossa sociedade exuberante em crescimento e desenvolvimento.