As cortes supremas: política, dinheiro e orgias
Miguel Gustavo de Paiva Torres
Todas essas tristes realidades que assistimos nos últimos meses nas supremas cortes constitucional e eleitoral do Brasil foram uma surpresa inesperada para grande parte da população brasileira e para o mundo jurídico.
Tínhamos por assentado desde a redemocratização e a volta do Estado de Direito no país que, excetuados um ou outro menos comprometido com a tradição do rigor, compostura e imparcialidade dos julgamentos em nossas últimas instâncias, existia notável saber jurídico, honra e integridade.
Por terem essas qualidades eram indicados pelo presidente da República em função e aprovados pelo Senado da República.
Depois de décadas sem grandes questionamentos a maioria dos nossos juízes supremos conseguiram o feito, também supremo, de desconstruir tradição e seriedade institucional, protagonizando espetáculos até então inimagináveis, dignas dos piores bordéis da antiguidade feudal e monárquica.
Os ministros supremos, em sua grande maioria, chafurdaram em orgias patrocinadas por um jovem senhor que, sem dúvida, entrará para a história mundial como o maior de todos os corruptos e corruptor.
Disciplina, método, planejamento e estratégia quase o levaram ao topo da pirâmide dos mais ricos do planeta. Comeu todos e todas pela ambição, luxúria, fraquezas carnais e materiais. Simplesmente desmascarou e dessacralizou as vetustas togas da nossa República tropical.
Foi o verdadeiro “dark horse” dessa sombria escuridão que se abateu como trevas e horror na noite nublada do nosso amado Brasil.
Só faltaram assassinatos.
Esse cenário me levou à tela de cinema da minha memória, onde revi o filme de Alan Pakula, Dossiê Pelicano, angustiante drama de suspense no qual o presidente dos Estados Unidos da América em busca de reeleição participa de conspiração para assassinato de dois juízes da Suprema Corte americana.
Defensores do meio ambiente esses juízes foram assassinados em complô gerado na Casa Branca para substituição por dois novos juízes sem compromissos com assuntos sem importância política como tratavam politicamente a questão da destruição ambiental nos anos 80 do século passado.
A substituição dos mortos permitiria aprovação de projeto bilionário de extração de óleo e gás do maior financiador eleitoral do presidente em áreas protegidas da Louisiana.
Não apenas dois assassinatos foram cometidos. Dezenas de outros se sucederam para o acobertamento da participação da Casa Branca nesse processo criminoso mafioso e sinistro.
Verdade que não chegamos a esse ponto por aqui. Mas ameaças existem. Mineiros e grileiros estão escondidos na moita esperando uma nova chance de riqueza e destruição.